Gastão Cruz

Youngsters outside Chiado*

Jovens à porta do Chiado

Nothing! The bottom of a well, humid and tepid,
All around a wall of silence and darkness.
Antero de Quental, 'Elogio da Morte'

Nada! O fundo de um poço, húmido e morno,
Um muro de silêncio e treva em torno.
 Antero de Quental, Elogio da Morte

They look into their phones as if into a mirror
searching through names and numbers
for the tepid sludge of a deep well
Their world is held by the thin thread
of the illusionary present  which doesn’t explain
the fact that their skin is still skin today
It all remains within the gaze’s reach
brief fictitiousness which reduces life
to the minor plot of the missed calls
of the messages received or not
causing the day’s building to sway
They feed on this and pretend they see
solely themselves while the world drains
into the well as swift as the day
Vêem-se ao telemóvel como ao espelho
nos nomes e nos números buscando
o lodo morno dum profundo poço
O seu mundo está preso àquele fio
de presente irreal que não explica
o facto de ser pele a pele ainda
Tudo fica no raio do olhar
brevemente fictício a vida reduzindo
ao enredo menor das chamadas perdidas
das mensagens que vindas ou não vindas
fazem tremer do dia o edifício
Disso vivem fingindo que se vêem
a si somente enquanto o mundo escorre
com a rapidez do dia para o poço
© Translated by Ana Hudson, 2011
in Escarpas, 2010
* big shopping centre in Lisbon
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