Nuno Brito

Sunset Boulevard

Sunset Boulevard

I’ve never wanted to be a poet, I’ve always wanted to be a mirror at the centre of Australia, I’ve always wanted to be “people hungry” like mirrors – Thin golden threads, To guard something, a hypermarket, a secret, protect that thing from wolves; To be several kangaroos all over the desert reflected in my fuzzy face, one cheek and the other, a fuzzy face which is just a mirrored desert loaded with red clouds over the glass and thirsty for Many Tongues – a Composer Desert Creating a Requiem in Braille so that the blind may sing a Perfect Hosanna – so that the blind may see it, multi-form, Dispelling all the rain-heavy clouds – so that the Flight may be in staying – Desert putting on its red panties, staring at me, sleepless mirror because it opens all drawers, all resolves to pull out some lycra socks – I’m only the willpower of your eyes: Scotland digging pink trenches, Africa dreaming of incest – in everything The Greatest –
Wearing All-Stars – Playing playstation with a mouthful of lemon* Desert at a gallop, opening doors – the choice of route is of no interest, what matters is the intensity with which one walks it, be it only one or in every way multiple and long. Desert that embraces desert, desert that spreads, red in the loss of desert and desert, desert thirsty for people.

Nunca quis ser um poeta, sempre quis ser um espelho colocado no centro da Austrália, sempre quis ser a “fome de gente” que os espelhos têm – Pequenos fios dourados, Guardar uma coisa qualquer, um hipermercado, um segredo, proteger essa coisa dos lobos; Ser vários cangurus espalhados pelo deserto reflectidos na minha cara fosca, de um e do outro lado, uma cara fosca que é só deserto espelhado carregado de nuvens vermelhas no vidro e na sede de ter Muitas Línguas – Deserto Compositor a Criar um Requiem em Braille para que os cegos cantem uma Osana Perfeita – Para que os cegos a vejam multiforme a Afastar todas as nuvens carregadas – Para que a Fuga seja só ficar – Deserto a vestir as suas cuequitas vermelhas, a olhar para mim, espelho que não dorme porque abre todas as gavetas, todas as vontades para tirar de lá meias de lycra – Sou só a vontade dos teus olhos: A Escócia a abrir trincheiras cor-de-rosa, A África a sonhar com um incesto – Em tudo Maior –
A calçar as All-Stars – A jogar playstaition com a boca cheia de limão* Deserto a cavalgar, a abrir portas – Não interessa a escolha do caminho, mas a intensidade com que se o percorre, seja ele um ou em tudo múltiplo e comprido. Deserto a abraçar deserto, deserto a espalhar-se, vermelho na perda por deserto e deserto, deserto com sede de pessoas.

© Translated by Ana Hudson, 2011
in Delírio Húngaro, 2009
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